Arquivo para Novembro, 2008

Minhas impressões do SecondLife

Li um relato bem legal no site da Computerworld da aventura de uma repórter americana obrigada por sua editora a freqüentar e criar uma segunda vida no programa. Muito divertida a forma que ela contou a história – em primeira pessoa. O objetivo da matéria era saber o que empresas como IBM, Cisco, estavam fazendo lá. Quanto ao meu relato…

Dá pra contar nos dedos quantas vezes acessei o Second Life. Como muitos aqui na sala, fiz um avatar besta por lá e visitei a tal ilha que representa o Brasil. Também entrei no prédio de dois andares do SEBRAE e só vi uns cartazes e ninguém para trocar uma idéia. Tentei fazer uma entrevista (como combinado) com alguns visitantes do espaço do PSDB, ninguém me deu bola. Já no Democratas, a conversar foi com uma atendente zumbi com camiseta do partido, mas ela também não me respondeu. “Onde houver um brasileiro… lá estão os Democratas”. Tá bom!

Dentre outras futilidades que fiz nesse mundinho, acho que a coisa mais divertida foi ter pegue o controle remoto de um cara e brincado com o helicóptero de brinquedo dele até o troço se espatifar no chão e explodir. Ouvi um bocado de palavrões e com medo de levar uma surra virtual, resolvi voar rumo ao infinito. Daí cansei, desloguei, fechei o programa e o removi do meu computador. Tchau!

Esse mundo chamado SecondLife

O SecondLife é um mundo virtual em 3 dimensões, novinho em folha, inteiramente construído por seus residentes. Ele foi aberto ao público em 2003 e desde então está crescendo explosivamente. Nesse metaverso (universo virtual), por meio de um avatar (personagem), os residentes podem interagir. Nesse mundo, você pode fazer tudo que faz no real e ainda voar ou se teleportar para qualquer lugar.

No entanto, Philip Rosedale, o homem que concebeu esse universo virtual, já estava planejando-o há mais de dez anos. Assim como em todas as nações em desenvolvimento, a história do Second Life é uma história de lutas, reivindicações e reafirmações de pontos de vista – claro que, felizmente, não foi preciso derramar sangue para isso. Essa nova nação passou do período feudal –  no qual tudo era taxado e você precisava pagar até para respirar – para o período das grandes navegações, em cerca de dois anos (entre 2003 e 2005).

As grandes navegações foram expedições estimuladas pelos governantes para que novas terras fossem descobertas (quer dizer, criadas), com o objetivo de ampliar os horizontes sociais e comerciais. Em 2006, iniciou-se o período de colonização, quando todos passaram a ter o direito de criar um
avatar gratuitamente, aumentando consideravelmente sua densidade demográfica.

Parece que 2008 será  o ano da Revolução Democrática – o código-fonte do programa-cliente tornou-se público, os residentes já reivindicam direito de voto em questões que mexam diretamente com seus interesses virtuais, inicia-se o processo de criação de tribunais regionais (questões que precisem ser julgadas poderão sê-las dentro das regiões onde aconteceram, dependendo da gravidade, sem haver a necessidade de levá-las ao governo central) e assim por diante.

Em seu pouco tempo de vida, o Second Life já teve de tudo: lutas de classe, movimentos anticapitalismo e até a explosão de uma “bomba atômica”! A arte imita a vida? Parece que nesse caso, sim.